Por Gutemberg B. de Macedo
“A tarefa do líder é conduzir seu pessoal de onde eles estão
para onde eles ainda não estiveram”.
Henry Alfred Kissinger, 1923 -Ex-secretário de
Estado do governo norte-americano
Administração Nixon
O Brasil sofre grave escassez de liderança em todos os setores da sociedade. Essa crise se reveste de maior gravidade no campo político, onde podemos vê-la e sentir os seus efeitos nefastos no nosso dia-a-dia – na improvisação das ações governamentais; na ausência de um planejamento estratégico de curto, médio e longo prazo; no predomínio da ideologia e dos interesses paroquiais e partidários de seus agentes em detrimento dos interesses maiores da nação; no desperdício do dinheiro publico, onde bilhões e bilhões de dólares descem ralo abaixo sem que muitos não sejam responsabilizados, julgados e punidos com o rigor da lei; no despreparo quase que absoluto dos gestores públicos que em vez de erguerem a barra da civilidade, da cidadania, do conhecimento, da competência, da meritocracia e da responsabilidade individual, fazem questão de baixá-la cada vez mais, a fim de instalarem o reino dos medíocres, dos despreparados e dos incompetentes.
Essa epidemia de mediocridade gritante e generalizada na política nacional é tão antiga quanto a própria República brasileira. O jurista baiano, doutor Rui Barbosa, 1849-1923, captou com grande sabedoria essa realidade há um século atrás. E o pior, ela continua mais verdadeira ainda em dias atuais: “A regra brasileira, a incapacidade: The wrong man in the wrong place. Não buscamos os homens para os lugares; buscamos os lugares para os homens. Os preparados são os despreparados, os despreparados são os preparados. Os competentes são os incompetentes, os incompetentes, os competentes”.
O Brasil tem um Congresso Nacional constituído por 81 senadores e 513 deputados federais. A despeito de seu gigantesco tamanho quando comparado a outras nações democráticas como Estados Unidos e França, temos um Congresso extremamente carente de lideres verdadeiros e de modelos à nação. Além disso, o segundo mais caro do mundo segundo a Organização da Transparência Mundial:
- O minuto de “trabalho” desses senhores que se tratam de excelência, custa em média ao contribuinte cerca de R$ 11.545,00 (onze mil, quinhentos e quarenta e cinco reais).
- Poucos profissionais no Brasil ganham por mês tamanha remuneração. Essa é uma inversão de valores.
- Um Senador da República, custa aos cofres públicos aproximadamente de R$ 33 milhões/ano (trinta de três milhões).
- Um Deputado Federal custa ao tesouro nacional cerca R$ 6.6 milhões/ano (seis milhões e seiscentos mil reais).
Quero acrescentar que essas cifras são substancialmente maiores do que o congresso nacional da Itália (3.9 milhões), da França (2.8 milhões), Espanha (850 mil) e Argentina (1.3 milhão).
Atualmente, qual é a contribuição efetiva desses senhores para o desenvolvimento da nação, além de, nos proporcionar escândalos de toda ordem?
O Congresso Nacional é uma das instituições políticas mais desacreditadas do país. E o mais triste, a cada nova eleição, esse mesmo Congresso se torna cada vez mais pobre e mais medíocre também. Foram-se os dias dos grandes oradores, dos iluminados debatedores, dos políticos preparados, cultos, e de homens que eram respeitados pelas posições corajosas que assumiam.
O político nacional, com raras e honrosas exceções, não expressa uma filosofia política, um posicionamento doutrinário convincente e uma visão cosmo nacional coerente. A maioria é inculta, despreparada e mais interessada em seu projeto de sobrevivência política. Alguns verbalizam ideias dos habitantes das “Cavernas de Platão” – eliminar o aprendizado do idioma inglês do currículo escolar, em um mundo onde 95% de toda comunicação humana é feita em inglês; proibir a compra de livros importados, entre outras aberrações gritantes. Em breve, É bem provável que em breve desejem seguir o exemplo de Mao Tse Tung, (1893-1976), revolucionário e tirano chinês que mandou fechar as universidades, queimar os livros em praça pública, enviar os professores e cientistas para os campos para plantarem arroz e esmagar todos aqueles que pensam diferentes.
Sim, caro leitor, a pobreza de liderança política é notória:
- Não temos uma geração de políticos que nos apontem um futuro promissor e que nos motivem a olhar para o futuro com confiança. É sabido que um líder verdadeiro faz com que homens comuns façam coisas excepcionais e extraordinárias. A declaração do mega empresário Benjamin Steinbruck sobre a atual realidade brasileira é uma prova irrefutável dessa minha observação: “Somente investe no Brasil quem é louco”.
- Não temos políticos com caráter ilibado e que zelem pelo bem do seu país, haja vista os escândalos do mensalão no governo do presidente Lula – R$ 178 milhões – e o da Petrobras – R$ 10 bilhões – na gestão da presidente Dilma Rousseff. O mais intrigante e vergonhoso dessa história, o Congresso Nacional faz corpo mole a fim de não punir os envolvidos. E quando o faz, o faz sob pressão da sociedade.
- Não temos políticos com a estatura e envergadura de verdadeiros estadistas. Todos olham apenas para o passado, são imediatistas e, quando olham para frente, vêem apenas a próxima eleição.
Não é a toa que o Brasil parece caminhar para trás – não temos grandes e respeitadas universidades no mundo; não temos cientistas e engenheiros à altura de nossas necessidades atuais; temos poucos centros de tecnologia, entre outras carências que não permitem que avancemos e nos tornemos uma nação poderosa, respeitada e rica pelo esforço do trabalho individual e espírito empreendedor. Parece que o destino nos escolheu para sermos uma nação apenas de comerciantes e exportadores de matéria prima.
Caro leitor, uma das melhores descrições sobre as qualidades que todo homem público – um estadista – deve ter foi feita por François de Callières, 1645-1717, secretário de gabinete de Luís XIV: “Uma mente observadora; um espírito aplicado, que se recuse a deixar-se distrair por prazeres ou diversões frívolas; um julgamento sólido, que avalie a medida das coisas tais como são e que vá direto para sua meta pelos caminhos mais diretos e naturais. […] Ele deve possuir ainda aquela penetração que o habilita a desvelar os pensamentos dos homens e saber, pelos menores movimentos de seus semblantes, que paixões agitam-se em seu interior. Deve possuir também uma mente fértil, um humor sereno, uma natureza tranqüila e paciente, sempre pronto a ouvir com atenção aqueles que cruzarem seu caminho. E acima de tudo, deve ter suficiente autocontrole para resistir ao desejo de falar antes de haver pensado de fato no que vai dizer”.
Na sociedade moderna e complexa, os líderes políticos devem ter consciência de seu papel critico e influenciador de toda a sociedade – para o bem ou para o mal. Eles precisam pensar além das fronteiras geográficas, sistemas governamentais e futuras eleições. Eles precisam construir uma sociedade mais justa e que ofereça oportunidades para todos e não apenas uma “Bolsa Família.” Eles necessitam ser mais bem preparados do que a média da população que dizem representar quando tremendos poderes tecnológicos estiverem nas mãos de uns poucos, como advertiu o astrônomo Carl Sagan, e nenhum representante do interesse público puder sequer compreender do que se trata, voltaremos a escorregar, quase sem notar, para a escuridão.
Se a minha tese estiver correta – “Não temos lideres Políticos à altura dos desafios postos à nação” – quais seriam as virtudes a serem buscadas naqueles indivíduos que ambicionam liderar o nosso país e libertá-lo dos vícios centenários – corrupção, incompetência gerencial, fisiologismo, burocracia estatal e “diplomacia de anão”?
Acredito que os melhores líderes, aqueles que fazem a diferença no atual mundo globalizado, costumam apresentar as seguintes virtudes:
- Eles são preparados e possuem um forte componente heterodoxo em seu caráter. Eles incentivam a pesquisa e a busca do conhecimento, inclusive, científico. Eles promovem a renovação do país – na sua maneira de pensar e solucionar os problemas nacionais; nos costumes e praticas políticas; no compromisso com a transparência e a verdade; na conduta ética na gestão dos interesses do país, entre outras atividades.
- Eles possuem alta dose de autoconfiança e jamais dão sinais de covardia. Além disso, eles nunca fogem à sua responsabilidade, como um certo presidente da recente historia do Brasil que se notabilizou pela sua conduta incoerente e irresponsável: “Eu não sei. Eu não ouvi. Eu não vi.”
- Eles cumprem o que prometem e são fanaticamente comprometidos com o seu trabalho. Como disse David Ogylvy, um dos maiores publicitários do século XX, “Eles não sofrem da necessidade destrutiva de ser universalmente amados. Eles têm a coragem de tomar decisões impopulares – inclusive a coragem de demitir os incompetentes. Gladstone disse uma vez que um grande primeiro-ministro precisa ser um bom açougueiro”.
- Eles devem expressar em palavras e ações um otimismo realista diante dos períodos turbulentos da vida nacional. O otimismo de um líder é algo contagiante e que movimenta a todos os cidadãos. Winston Churchill é um exemplo dessa afirmativa: “O caráter de Churchill era tal em uma crise que jamais remoeu o desastre na Noruega, mas se lançou na tarefa de salvar sua nação – e o fez sabendo que, ao defender a Inglaterra, ele estava defendendo todo o mundo livre”. No Brasil atual, o que vemos é a proliferação do pessimismo, do cinismo e da indiferença com a classe política dominante.
- A maioria dos grandes líderes tem a capacidade de inspirar as pessoas com os seus eloquentes discursos e exemplos de vida à semelhança de Mandela, Winston Churchill, Gandhi, Barack Obama, entre outras figuras notáveis da política internacional.
A expressão bíblica notabilizada ao longo da história do povo de Israel deve merecer nossa reflexão mais profunda. Em momento de grave descontentamento na sua caminhada no deserto – perseguidos pelos egípcios – Moisés, instruído pelo seu Deus, disse: “Diga aos filhos de Israel que marchem” (Êxodo 14.15). Essa é a mensagem de um verdadeiro líder a todos aos seus liderados em momento de incerteza como os que vivemos atualmente no Brasil. Essa mensagem foi colocada em linguagem moderna por Eduardo Campos, candidato a presidência da republica, na noite do dia 12 de agosto de 2014 por ocasião de sua entrevista no Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão – “Nunca desistam do Brasil”.
Atualmente, estamos vivendo um período eleitoral. Portanto, é preciso estudar a vida, o exemplo, o trabalho realizado por cada candidato à presidência da república, a fim de que não compremos “gato” por “lebre” ou elejamos um candidato (a) que nos bastidores do Palácio da Alvorada seja manipulado por terceiros. O Presidente do PT Nacional, deputado Rui Falcão já sinalizou que Lula terá maior influência no segundo mandato da Presidente Dilma, caso ela seja reeleita (Leia o editorial do jornal O Estado de S. Paulo – “Compre Dilma, Leve Lula), 13.08.2014, e veja a influência que ele deseja exercer sobre ela.
Sim, é preciso que nos debrucemos sobre o perfil de cada candidato e o analisemos de maneira racional – virtudes e vulnerabilidades, convicções políticas, conduta e desenvoltura anterior em cargos públicos, formação acadêmica, caráter e preparo para o exercício do poder.
Sim, temos de avaliar com responsabilidade todos os candidatos a fim de identificar aquele que reúne as melhores qualificações de um líder autentico e que tenha reais compromissos com o desenvolvimento de seu país em todos os setores da sociedade – infraestrutura, saúde, educação, finanças públicas, transporte, segurança, meio ambiente, defesa de suas fronteiras, etc.
Aqui, registro um pensamento de Winston Churchill para sua reflexão: “Alguns homens mudam de partido em função de seus princípios (esses são raros); outros mudam seus princípios em função de seu partido (a maioria)”.
Caro leitor, muito cuidado com esses últimos. Eles são políticos mercantilistas, venais, vendem a sua alma ao diabo e colocam os seus interesses acima dos interesses de seu país. Fuja deles. Elimine-os da vida pública nas próximas eleições pelo voto consciente e para o bem do país.
Nesse período da vida nacional, milhares de pessoas se apresentam à Nação brasileira como seus reais defensores – são empresários falidos, médicos, advogados, engenheiros e sindicalistas mal-sucedidos, – Todos querendo nos convencer sobre o seu valor para a Nação. Mas não se enganem. Eles entram na defesa da causa alheia para defenderem a sua própria.
História extraída da vida cotidiana norte-americana relata que o mítico ladrão de banco, Wilhie Sutton, 1901 – 1980, foi interrogado sobre os reais motivos que o levavam a roubar apenas os bancos. Ao que ele respondeu: “É porque é lá que o dinheiro está”.
Moral dessa história: muitos dos candidatos que hoje buscam se eleger deputado, senador, governador, etc. ambicionam tais postos porque “É no Tesouro Nacional que o dinheiro está”. Como eles não demonstram competência nas áreas de trabalho que abraçaram eles querem se abrigar nos cofres do tesouro.


