A inspiração para escrever este post surgiu de duas fontes. A primeira, de natureza sagrada:
“Esperei confiantemente pelo Senhor; Ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Espera pelo Senhor, tenha bom ânimo e fortifique-se o teu coração; espera pelo Senhor.” (Salmos 40.1; 27.14)
A segunda, de natureza profana — a canção Tocando em Frente, de Renato Teixeira:
“Ando devagar porque já tive pressa / E levo esse sorriso porque já chorei demais…”
Essa é uma daquelas frases que, ao serem ouvidas, não apenas ecoam nos ouvidos, mas se instalam profundamente na alma. Renato Teixeira, em sua obra Romaria, eternizou em versos a jornada de amadurecimento que muitos de nós percorremos — do ímpeto apressado da juventude ao passo consciente e sereno da maturidade.
Vivemos em um tempo em que a velocidade é cultuada. Queremos tudo para ontem. Carreiras meteóricas, respostas instantâneas, relacionamentos resolvidos em mensagens curtas. O mundo gira rápido, e somos pressionados a girar com ele. No entanto, há algo de profundamente humano — e saudável — em aprender a diminuir o passo.
Quando Renato Teixeira canta “ando devagar porque já tive pressa”, ele nos convida a olhar para trás e perceber que a correria nem sempre nos levou ao lugar certo. Que, muitas vezes, na ânsia de chegar, deixamos de viver o caminho.
Esperar não é estagnar. É resistir à ansiedade com coragem. É escolher a cadência certa para o coração. É ter a sabedoria de entender que cada coisa tem seu tempo — e que o tempo, muitas vezes, é o verdadeiro autor das grandes transformações.
Esperar é a arte de preparar a terra antes de semear. É olhar com paciência para os próprios processos. É aceitar que nem sempre as respostas vêm com urgência, mas que, quando vêm, são mais profundas e sustentáveis.
Esperar com sabedoria é diferente de paralisar por medo. A canção segue com “e levo esse sorriso porque já chorei demais” — e isso nos ensina que tocar em frente não é apenas seguir fisicamente, mas emocionalmente cicatrizado e espiritualmente fortalecido.
Quem já teve pressa, quem já chorou, quem já tropeçou, sabe o valor de seguir em frente com os pés no chão e o coração leve. Sabe que a pressa cega, mas a serenidade clareia. Que a dor ensina e o tempo cura.
No mundo corporativo, nas relações humanas e no crescimento pessoal, saber esperar é uma virtude rara. Não é sobre passividade, mas sobre confiança. Não é sobre conformismo, mas sobre maturidade. A espera ativa é aquela que nos permite estar prontos — quando a hora certa chegar.
Enquanto muitos correm em busca de reconhecimento imediato, resultados instantâneos ou validações rápidas, os que sabem esperar e tocar em frente constroem pontes mais sólidas. São esses que deixam legado.
Saber esperar e tocar em frente é um aprendizado contínuo. É aceitar que o tempo não é um inimigo, mas um aliado. Que andar devagar pode ser, na verdade, a maneira mais segura e profunda de se viver.
Que possamos, como na canção, caminhar com consciência, carregar os sorrisos que vieram depois das lágrimas, e confiar que o destino se revela para quem não se deixa atropelar pelo caminho.
“Ando devagar porque já tive pressa…” — e talvez hoje, enfim, estejamos no ritmo certo da vida.
O tempo ensina que é preciso seguir, amadurecer e se fortalecer. Portanto, gaste o tempo com inteligência e sabedoria. Valorize os momentos — dos mais simples aos mais especiais — e busque um propósito em tudo o que faz. O tempo jamais voltará.
Redigido e postado por Gutemberg B. de Macedo Presidente da Gutemberg Consultores



