Sexta-feira Santa. Hoje celebramos e reverenciamos a morte de Cristo — o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Sua crucificação foi um dos episódios mais tristes de toda a história humana. O Deus que se fez homem e habitou entre nós foi imolado em uma cruz no Gólgota — que significa “lugar da caveira” —, porque seus algozes o consideraram um perigoso revolucionário, apesar de Ele afirmar que sua missão era de outra natureza. Cristo dizia ser “o caminho, a verdade e a vida” e que viera ao mundo não para abolir ou descumprir as Leis de Moisés, tampouco desafiar as Leis Romanas. Sua revolução era de bandeira branca — sem exércitos, armas ou pólvora. Era a revolução do amor, da paz, da humildade, da simplicidade, do perdão e da esperança.
Sim, é verdade: Cristo foi um revolucionário — no sentido de que sua mensagem buscava transformar vidas humanas para melhor. Ele pregou contra os males, as injustiças e as práticas dos falsos líderes religiosos de seus dias.
Eis as Suas palavras:
“Na cadeira de Moisés, se assentam os escribas e os fariseus. Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem; porém, não os imiteis nas suas obras, porque dizem e não fazem. Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los… Amam o primeiro lugar nas sinagogas, as saudações nas praças.”
(Evangelho de São Mateus, capítulo 23)
Caro leitor, qualquer semelhança com alguns de nossos líderes religiosos — verdadeiros lobos vestidos em pele de cordeiro — e também com líderes políticos, não é coincidência. É uma realidade.
Sempre que me debruço sobre a história da crucificação de Cristo, sou tomado por uma forte emoção. Não compreendo plenamente como alguém pôde se despir de sua divindade para se tornar homem, como qualquer um de nós, e oferecer sua vida em holocausto por todos. Este ato é tão profundo e cheio de amor que excede todo o entendimento humano.
Independentemente do nosso grau de fé ou espiritualidade, convido você a, por alguns instantes, voltar-se para a cruz e refletir sobre o significado do Calvário. Cristo é uma força sempre presente em nossas vidas — mesmo que nem sempre atentemos para esse fato. Ele está conosco nos momentos de alegria e tristeza, nas perdas e nas conquistas, na abundância e na escassez. E, não raro, só O procuramos quando estamos deitados em um leito de hospital, quando perdemos um ente querido, um emprego, ou quando peregrinamos sozinhos pelo deserto.
Tive um irmão que se dizia ateu. Quando confrontado com a sentença da morte, no Hospital Sírio-Libanês, em decorrência de um câncer, ouvi-o várias vezes clamar pelas misericórdias de Cristo. Uma das frases mais belas pronunciadas por Ele durante Seu breve ministério foi:
“Quem me segue nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”.
Feliz Páscoa.
Gutemberg B. de Macedo



