Por Gutemberg B. de Macedo
Imagine voltar ao trabalho após dar à luz e perceber que, para a empresa, você já não é mais a mesma. Não porque perdeu a competência, mas porque ousou exercer a maternidade. “Virei símbolo de inutilidade porque estava em licença-maternidade.”
Infelizmente, essa é a realidade de muitas mulheres que, ao retornarem da licença-maternidade, se deparam com um ambiente hostil, repleto de olhares julgadores, oportunidades retiradas silenciosamente e comentários velados.
Recentemente, assisti a uma executiva oriunda de uma grande empresa que me relatou que, em diferentes ocasiões, foi assediada moralmente — principalmente após sua volta da licença-maternidade — cujo resultado foi seu afastamento por depressão e, seis meses depois, sua demissão.
O assédio comumente se mascara ou se disfarça de “brincadeira”, mas carrega o peso da opressão e da humilhação.
Uma em cada quatro mulheres afirma ter sofrido algum tipo de retaliação ou constrangimento ao voltar da licença-maternidade no Brasil.
Assédio moral não é frescura. É uma violência que pode destruir não apenas uma carreira sólida, mas a própria vida.
E não estamos falando de achismo. Estamos falando de assédio moral.
Recentemente, a executiva Carolina Ragazzi denunciou publicamente o que muitas vivem em silêncio. Após retornar da licença-maternidade, ela foi excluída de projetos importantes, teve a remuneração reduzida e se tornou alvo de piadas machistas. O motivo? Ela havia se tornado mãe — como se isso a tornasse menos produtiva, menos envolvida, menos “empresa”.
Humilhação não é método de gestão científica. É método retrógrado e “Slave Master”. Assediadores só aprendem a respeitar o outro (a) quando sofrem as consequências de suas ações maléficas — a demissão e a exclusão do mercado de trabalho.
Não é um caso isolado. É estrutural. E precisa ser dito.
Quando o problema ganha nome: Assédio Materno
Você já ouviu esse termo?
Assédio materno é a forma específica de assédio moral direcionada a mulheres no contexto da gravidez, licença ou retorno ao trabalho. Pode se manifestar de diversas formas:
- Remoção de projetos sem justificativa
- Avaliações injustas de desempenho
- Comentários como “agora ela só pensa no filho”
- Pressão para não engravidar novamente
- Desvalorização ou isolamento profissional
Casos reais, dores reais
🔹 “Voltei da licença e fui colocada num setor onde meu trabalho não fazia sentido. Era como se dissessem: ‘você não serve mais’.”
🔹 Uma técnica de enfermagem em MG recebeu advertência formal por levar a filha ao médico — mesmo com autorização da chefia. Resultado? Indenização por danos morais.
🔹 Em BH, uma trabalhadora teve que voltar ao trabalho uma semana após o parto porque sua carteira não havia sido registrada, e, portanto, “legalmente” ela não tinha direito à licença. A Justiça condenou a empresa.
A proteção à maternidade está garantida por lei. Toda gestante tem direito a:
- Estabilidade no emprego: da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto
- Licença-maternidade de 120 a 180 dias
- Intervalos para amamentação
- Proteção contra demissão ou discriminação
Mas se a lei protege, por que tantas ainda sofrem caladas?
Porque o assédio raramente é direto. Ele é feito de silêncios, de exclusões, de sorrisos irônicos. E muitas vezes, é praticado justamente por quem deveria acolher.
É preciso falar sobre isso. E agir.
👶 Maternidade não é sinônimo de fraqueza. 💼 Voltar ao trabalho após um parto é um ato de coragem. 🚫 Fazer com que essa mulher se sinta um estorvo é inaceitável.
O que podemos fazer?
✔ Empresas precisam rever seus processos de reintegração pós-licença.
✔ Lideranças precisam ser treinadas para acolher, não excluir.
✔ E todos nós precisamos reconhecer que uma sociedade justa começa por onde nasce a vida: na maternidade.
Para refletir:
“Quando voltei ao trabalho, me senti invisível. Mas não era por falta de competência. Era por ser mãe.”
Você já presenciou algo assim no seu ambiente de trabalho? Compartilhe. Falar é o primeiro passo para mudar.
📣 Este texto é um convite à escuta, à empatia e à construção de ambientes mais humanos. Que nenhuma mulher precise escolher entre ser mãe e ser valorizada como profissional.
Caro leitor(a): Sua saúde física, psicológica e moral vale mais do que qualquer pacote de remuneração e benefícios. Lembre-se: nada substitui a sua paz mental.



