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Assédio Moral e a Invisibilização da Mulher no Ambiente de Trabalho

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Gutemberg B. de Macedo

Uma história de 40 anos de atuação no mercado, que se solidificou em uma empresa nacional, com filosofia e estratégias globalizadas.

Por Gutemberg B. de Macedo

Imagine voltar ao trabalho após dar à luz e perceber que, para a empresa, você já não é mais a mesma. Não porque perdeu a competência, mas porque ousou exercer a maternidade. “Virei símbolo de inutilidade porque estava em licença-maternidade.”

Infelizmente, essa é a realidade de muitas mulheres que, ao retornarem da licença-maternidade, se deparam com um ambiente hostil, repleto de olhares julgadores, oportunidades retiradas silenciosamente e comentários velados.

Recentemente, assisti a uma executiva oriunda de uma grande empresa que me relatou que, em diferentes ocasiões, foi assediada moralmente — principalmente após sua volta da licença-maternidade — cujo resultado foi seu afastamento por depressão e, seis meses depois, sua demissão.

O assédio comumente se mascara ou se disfarça de “brincadeira”, mas carrega o peso da opressão e da humilhação.

Uma em cada quatro mulheres afirma ter sofrido algum tipo de retaliação ou constrangimento ao voltar da licença-maternidade no Brasil.

Assédio moral não é frescura. É uma violência que pode destruir não apenas uma carreira sólida, mas a própria vida.

E não estamos falando de achismo. Estamos falando de assédio moral.

Recentemente, a executiva Carolina Ragazzi denunciou publicamente o que muitas vivem em silêncio. Após retornar da licença-maternidade, ela foi excluída de projetos importantes, teve a remuneração reduzida e se tornou alvo de piadas machistas. O motivo? Ela havia se tornado mãe — como se isso a tornasse menos produtiva, menos envolvida, menos “empresa”.

Humilhação não é método de gestão científica. É método retrógrado e “Slave Master”. Assediadores só aprendem a respeitar o outro (a) quando sofrem as consequências de suas ações maléficas — a demissão e a exclusão do mercado de trabalho.

Não é um caso isolado. É estrutural. E precisa ser dito.

Quando o problema ganha nome: Assédio Materno

Você já ouviu esse termo?

Assédio materno é a forma específica de assédio moral direcionada a mulheres no contexto da gravidez, licença ou retorno ao trabalho. Pode se manifestar de diversas formas:

  • Remoção de projetos sem justificativa
  • Avaliações injustas de desempenho
  • Comentários como “agora ela só pensa no filho”
  • Pressão para não engravidar novamente
  • Desvalorização ou isolamento profissional

Casos reais, dores reais

🔹 “Voltei da licença e fui colocada num setor onde meu trabalho não fazia sentido. Era como se dissessem: ‘você não serve mais’.”

🔹 Uma técnica de enfermagem em MG recebeu advertência formal por levar a filha ao médico — mesmo com autorização da chefia. Resultado? Indenização por danos morais.

🔹 Em BH, uma trabalhadora teve que voltar ao trabalho uma semana após o parto porque sua carteira não havia sido registrada, e, portanto, “legalmente” ela não tinha direito à licença. A Justiça condenou a empresa.

A proteção à maternidade está garantida por lei. Toda gestante tem direito a:

  • Estabilidade no emprego: da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto
  • Licença-maternidade de 120 a 180 dias
  • Intervalos para amamentação
  • Proteção contra demissão ou discriminação

Mas se a lei protege, por que tantas ainda sofrem caladas?

Porque o assédio raramente é direto. Ele é feito de silêncios, de exclusões, de sorrisos irônicos. E muitas vezes, é praticado justamente por quem deveria acolher.

É preciso falar sobre isso. E agir.

👶 Maternidade não é sinônimo de fraqueza. 💼 Voltar ao trabalho após um parto é um ato de coragem. 🚫 Fazer com que essa mulher se sinta um estorvo é inaceitável.

O que podemos fazer?

✔ Empresas precisam rever seus processos de reintegração pós-licença.

✔ Lideranças precisam ser treinadas para acolher, não excluir.

✔ E todos nós precisamos reconhecer que uma sociedade justa começa por onde nasce a vida: na maternidade.

Para refletir:

“Quando voltei ao trabalho, me senti invisível. Mas não era por falta de competência. Era por ser mãe.”

Você já presenciou algo assim no seu ambiente de trabalho? Compartilhe. Falar é o primeiro passo para mudar.

📣 Este texto é um convite à escuta, à empatia e à construção de ambientes mais humanos. Que nenhuma mulher precise escolher entre ser mãe e ser valorizada como profissional.

Caro leitor(a): Sua saúde física, psicológica e moral vale mais do que qualquer pacote de remuneração e benefícios. Lembre-se: nada substitui a sua paz mental.

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