Por Gutemberg B. de Macedo
“O maior entre vocês deverá ser servo.” — Jesus Cristo (Mateus 23:11)
Jesus nasceu em Belém, cidade da Judeia, provavelmente no ano 4 a.C., segundo alguns historiadores. As principais fontes de informação sobre sua vida e ministério são os quatro Evangelhos — Mateus, Marcos, Lucas e João.
Jesus Cristo nunca fundou uma religião ou abriu uma igreja. Frequentava sinagogas como um judeu que cumpria as Leis de Moisés, registradas no Velho Testamento. Ele mesmo disse: “Não vim para abolir as Leis de Moisés, mas para cumpri-las.”
Cristo nunca criou uma universidade, mas formou milhares de discípulos ao redor do mundo. Também nunca liderou um exército ou usou armas. Suas armas eram o amor, a humildade e o exemplo.
Cristo nunca criou um hospital, tampouco estudou medicina ou enfermagem, mas curou leprosos, cegos, surdos, pessoas com depressão, entre outras enfermidades crônicas. Ressuscitou mortos, transformou água em fino vinho e fez cessar uma tempestade.
Cristo, a despeito de sua notória sabedoria e reputação — todos queriam vê-lo e tocá-lo —, jamais pregou a Teologia da Prosperidade. Pelo contrário, disse: “O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça;” e “De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
Sua mensagem enfatizava o amor, a humildade, a paz de espírito, a condução de uma vida reta e irretocável, um coração generoso, o perdão, entre outros princípios.
Certa ocasião, Ele afirmou: “Não julgueis, para que não sejais julgados;” “Se alguém te pede para caminhar uma milha, caminha com ele duas;” “O maior entre vocês deverá ser servo.” (Mateus 23:11)
Estamos em plena Semana Santa — um tempo que nos convida à reflexão, à interiorização e à contemplação de valores que, curiosamente, têm muito a ensinar ao mundo corporativo moderno.
Vivemos uma era de transformações velozes, exigências complexas e decisões que precisam ser tomadas com equilíbrio entre lucro e propósito. Mas quem é o verdadeiro modelo de liderança para esse novo executivo que se espera hoje?
O mundo executivo está cada vez mais difícil encontrá-lo. A cada dia somos surpreendidos com escândalos de toda natureza e ordem – crimes financeiros, assédios morais e sexuais – que geram descrédito, decepção e toxicidade nas organizações.
O discurso “Walk The Talk” é muitas vezes uma farsa velada como pregou Padre Antônio Vieira, famoso pelas suas críticas contundentes a sociedade dos seus dias “O discurso é como bala sem pólvora, faz barulho mas não fere ninguém. A minha resposta pode surpreender os meus leitores: o modelo do executivo do século XXI é Cristo
Muito antes de “liderança servidora” ser um conceito difundido por Robert Greenleaf, Cristo já a praticava com excelência:
“Eu estou entre vocês como quem serve.” — Lucas 22:27
No ambiente corporativo, onde egos inflados e disputas por poder são quase rotina, Jesus nos propõe uma revolução silenciosa: liderar com humildade, empatia e serviço. O verdadeiro líder não é aquele que chega ao topo sozinho, mas aquele que leva outros consigo.
Desafie-se:
- Você conhece as dores da sua equipe?
- Está disposto a colocar o bem comum acima do próprio reconhecimento?
Cristo não era conivente com injustiças. Enfrentou o sistema religioso da época, confrontou fariseus, mas também soube se calar diante de Pilatos, mostrando que nem toda guerra merece ser travada com palavras.
O executivo do século XXI precisa saber quando usar a voz — e quando usar o silêncio. Nem todo embate exige confronto. Às vezes, a firmeza está em não reagir.
Cristo chorou. Cristo se compadeceu. Cristo se indignou. Mas nunca perdeu o controle.
Segundo Daniel Goleman, um dos maiores especialistas em inteligência emocional, o líder moderno precisa desenvolver cinco pilares essenciais: autoconhecimento, autocontrole, motivação, empatia e habilidades sociais. Todos eles podem ser encontrados nos Evangelhos, vividos intensamente por Aquele que foi chamado de Mestre.
O mundo corporativo e a sociedade global poderia ter um destino totalmente diferente se os ensinamentos do Cristo encontrassem acolhida nas mentes e nos corações dos homens.
“A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou.” — João 4:34
Hoje, muitos executivos buscam títulos, bônus, notoriedade. Cristo, no entanto, nos lembra que a verdadeira satisfação está em viver com propósito. Não se trata do cargo que se ocupa, mas do impacto que se causa.
“É bom lembrar, a celebre frase de Cristo: Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros”.
Pergunte a si mesmo:
- Você trabalha por propósito ou apenas por promoção?
- Sua carreira é uma missão ou apenas uma meta?
Na cruz, Cristo perdoou. No auge da dor, não transferiu culpa. Essa é talvez uma das lições mais poderosas para o mundo corporativo. O executivo moderno é testado não quando tudo vai bem, mas quando a pressão chega.
“Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.” — Lucas 23:34
Consegue imaginar o impacto de líderes que, mesmo feridos, não retaliam, mas restauram?
A cruz, símbolo máximo da fé cristã, também pode ser lida como um lembrete de que toda liderança carrega um peso, um sacrifício, uma responsabilidade — e, muitas vezes, exige renúncia de si mesmo.
Cristo não buscou seguidores por vaidade, mas por amor. Não buscou status, mas transformação. E é exatamente disso que o mercado precisa: líderes que transformam, não que apenas comandam.
Nesta Semana Santa, ao invés de apenas contemplar o Cristo crucificado, convido você a refletir sobre o Cristo gestor, mentor, estrategista e exemplo.
Se você está em posição de liderança, lembre-se: o sucesso duradouro nasce onde o poder encontra o propósito.
Em post anterior citei um comentário feito por John Kuincy Adans, ex-presidente dos EUA, com qual concluo esse post: “Se suas ações inspiram os outros a sonharem mais a aprenderem mais, a fazerem mais e a serem mais, você é um líder”. E eu acrescento: se você tornar seu subordinado em filhos melhores do que você, você está seguindo os passos de Cristo.
Certa ocasião, lia a declaração de J. Kingsley Ward, empresário e executivo norte americano, mediante da ameaça de sua morte escreveu em carta ao seu filho: “Meu filho, eu não acredito na ressureição dos mortos e, muito menos, na reencarnação, mas se pudesse voltar a terra, gostaria de voltar com seu filho”.
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Boa Páscoa!
Gutemberg B. de Macedo


