Por Gutemberg B. de Macedo
São Paulo, o apóstolo maior da cristandade, em carta aos cristãos da cidade de Corinto — cidade grega, helenística e romana, localizada no istmo que liga a Grécia continental ao Peloponeso. Próspera, com dois grandes portos e dois templos dedicados aos deuses Apolo e Afrodite — escreveu:
“Não sabeis vós que sois o Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (…) O Templo de Deus, que sois vós, é santo.” (I Carta aos Coríntios 3:16-17)
Se cremos que nosso corpo é o tabernáculo do Deus Santo e da nossa alma, deveríamos tratá-lo com respeito e o mais profundo cuidado. Deveríamos honrá-lo como quem visita um templo, com reverência e intenção, a fim de elevar nossas orações ao Divino.
Jim Brown escreveu que os homens perdem a saúde para acumular riqueza, depois perdem a riqueza para tentar recuperar a saúde (quando conseguem). E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente, de forma que acabam por não viver nem no presente, nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer… e morrem como se nunca tivessem vivido.
Aqui vale lembrar as palavras do poeta romano Sêneca:
“A agitação contínua numa vida tumultuosa não é atividade saudável, mas inquietação.”
Caro leitor, a saúde física é como um grande amor: só percebemos seu valor quando a perdemos.
Há duas décadas, li a biografia do general Robert Wood Johnson, herdeiro e CEO da Johnson & Johnson — executivo profundamente dedicado à empresa — que, em seu leito de hospital, chegando aos instantes finais de sua bem-sucedida carreira e vida, ofereceu toda a sua fortuna ao médico que pudesse curá-lo e livrá-lo da morte.
Quantos executivos morrem prematuramente simplesmente porque destruíram o Templo de Deus — seu próprio corpo.
Atualmente, vivemos a era da pressa, da produtividade desenfreada e dos múltiplos papéis sociais assumidos em um único dia. Em meio a tudo isso, uma pergunta emerge como um lembrete simples e, ao mesmo tempo, poderoso:
Se você não cuidar do seu corpo, onde você vai morar?
Essa frase, que circula em redes sociais, palestras e conversas sobre qualidade de vida, carrega uma verdade inegociável: o nosso corpo é a única casa que não podemos trocar. Podemos mudar de endereço, de cidade, até de país — mas seguimos, diariamente, habitando a mesma estrutura física. E, muitas vezes, negligenciando aquilo que nos sustenta.
É comum associarmos o cuidado com o corpo à estética idealizada. No entanto, essa visão é limitada e superficial. Cuidar do corpo é honrar a ferramenta que nos permite viver, trabalhar, amar, realizar projetos e servir ao mundo.
Como escreveu o pensador contemporâneo Yuval Noah Harari:
“A revolução do bem-estar não será tecnológica, mas biológica.”
Isso significa que, mais do que investir em novos gadgets, precisaremos reaprender a nos ouvir — escutar os sinais do corpo, identificar limites, respeitar o ritmo biológico e criar rotinas mais saudáveis.
Essa pergunta não exige julgamento, mas reflexão. Estamos nos alimentando de forma consciente? Dormindo o suficiente? Fazendo pausas intencionais? Ou estamos no modo automático, dizendo “não tenho tempo”, enquanto pagamos caro com a saúde?
A verdade é que o corpo cobra a conta que a mente tenta adiar. Cedo ou tarde, os sinais aparecem: cansaço excessivo, dores recorrentes, ansiedade, baixa imunidade, irritabilidade. E muitos desses sintomas são recados sutis dizendo:
“Ei, lembre-se de mim. Eu sou sua casa.”
Nenhum projeto de vida — pessoal ou profissional — é sustentável sem saúde. Um líder esgotado não inspira. Um profissional doente não performa. Um pai ou mãe cansado demais não consegue aproveitar plenamente os filhos.
Cuidar do corpo, portanto, é também cuidar do propósito. É garantir que a missão de vida não se perca por negligência com o básico. É ter energia para amar, para servir, para viver com plenitude.
Cuidar do corpo não precisa ser complexo. Pode começar com pequenas escolhas diárias:
- Beber mais água
- Fazer uma caminhada curta
- Dormir 30 minutos mais cedo
- Dizer “não” para um excesso
- Respirar fundo antes de reagir
Como disse Sêneca:
“Enquanto se perde tempo na vida, a vida passa.”
E a saúde está entre os bens mais valiosos e insubstituíveis que temos — mas muitas vezes só percebemos isso quando ela falta.
Que esse artigo não seja um alerta dramático, mas um convite gentil à consciência.
A vida é uma construção contínua — e nosso corpo é o canteiro onde tudo acontece.
Não espere a dor bater à porta para fazer uma reforma. Comece hoje, com pequenos passos. Seu futuro agradece.
Gutemberg B. de Macedo Conselheiro de líderes, escritor e defensor de uma vida com propósito, saúde e sentido.



