Por Gutemberg B. de Macedo
No final do último século, li a biografia do General Robert Wood Johnson, herdeiro e ex-CEO da Johnson & Johnson: Robert Wood Johnson – The Gentleman Rebel, escrita por Lawrence G. Foster. Uma biografia extraordinária.
Nela, o autor registra um episódio envolvendo o jovem James Burke — ex-colaborador da Procter & Gamble, formado em nível de Mestrado em Harvard, em 1959 — contratado pelo próprio General após ouvir do trabalho que ele realizava na P&G.
Relata Lawrence que o General delegou a este jovem a tarefa de lançar três produtos no mercado, o que se tornou um verdadeiro desastre, acarretando um prejuízo de US$ 8 milhões aos acionistas.
Quando o General foi informado desse desastre, convocou James para uma reunião sobre o episódio. O biógrafo descreve que James, ao ser chamado, temeu pelo seu emprego. Ao entrar na luxuosa sala do General, ouviu:
“James, fui informado que o lançamento dos produtos foi um desastre e que você gerou uma grande perda aos acionistas.”
O jovem, trêmulo e temendo ser demitido, respondeu:
“Sim, senhor, isto é verdade.”
O General, ao ouvir sua resposta, com voz firme, disse:
“Dê-me a mão.”
James estendeu sua mão gelada e ouviu as seguintes palavras:
“Parabéns! Aqui, você só pode errar uma única vez sobre a mesma coisa. Volte para sua sala e continue a fazer o seu trabalho.”
Caro leitor, não tenha medo de errar. Afinal, o maior erro que você pode praticar em sua vida e carreira é o medo constante de errar.
Lembre-se: desejar justificar um erro é cometê-lo duas vezes.
Cometa muitos erros! Se você errou, corrija o erro imediatamente. Não o justifique. E se, mesmo assim, for demitido, este não seria o melhor lugar para você trabalhar.
J. Melvin Muse, ex-chairman e CEO da Mude Cordero Chen, disse:
“Erros são o combustível para o desenvolvimento de sua carreira. Aprenda como dar a volta por cima. Assim, você nunca incorrerá no mesmo erro duas vezes. Faça isso, e sua carreira irá progredir muito mais do que a de seus companheiros conservadores.”
James Burke cometeu um grave erro, como vimos acima, mas foi escolhido para assumir o cargo de CEO da Johnson & Johnson nove anos depois, tornando-se um dos mais respeitados e renomados executivos de sua época.
Aqui vale lembrar também as palavras de Thomas A. Edison:
“Eu não errei. Apenas descobri 10 mil maneiras que não funcionam.”
Caro leitor, se você não se desafiar, mesmo sob o risco de cometer erros, nunca progredirá em sua carreira. É no erro que você potencializa suas oportunidades de crescimento dentro da organização.
Sem errar, você nunca descobrirá absolutamente nada. E sem descobrir novos e melhores caminhos, nunca saberá até onde pode chegar.
Cometa erros. Esse é o meu conselho. E nunca permita que o medo de errar paralise sua evolução.
Cometa muitos erros
Isso mesmo: cometa muitos erros.
Mas com uma condição inegociável: que eles sejam novos. Que venham acompanhados de tentativa, ousadia, experimentação. Que sejam a marca de quem está se movimentando.
Porque o verdadeiro fracasso não é errar — é estagnar.
Vivemos em um tempo em que a estética da perfeição virou moeda social. Onde errar em público é quase um escândalo e admitir falhas é, para muitos, sinônimo de fraqueza.
Nada poderia estar mais distante da verdade.
“Só erra quem se arrisca. Só cresce quem se expõe. Só evolui quem se permite recomeçar.”
Empresas que punem o erro de forma punitiva, em vez de formativa, estão treinando seus talentos a não tentarem nada novo.
Líderes que não admitem seus próprios tropeços estão, na prática, criando times que mentem para agradar e escondem para sobreviver.
O erro precisa voltar a ser visto como parte natural do processo de aprendizado.
- Grandes invenções nasceram de fracassos bem aproveitados.
- Grandes negócios emergiram de protótipos que falharam antes de acertar.
- Grandes líderes foram moldados por decisões mal calculadas que geraram lições eternas.
Claro, não estamos falando de irresponsabilidade.
Negligência é falta de preparo. Erro é resultado de uma ação legítima que não saiu como esperado.
E aqui mora a chave: errar tentando, com propósito, é sinal de progresso.
Você erra porque age. Você erra porque se importa. Você erra porque quer acertar — mas não tem medo de ser imperfeito no caminho.
O mundo atual exige agilidade de aprendizado, não a ilusão de perfeição.
Errar faz parte do processo de:
- Afinar o instinto
- Refina a estratégia
- Moldar a visão
“Não tenha medo de errar. Tenha medo de não evoluir.”
Essa talvez seja uma das perguntas mais valiosas em entrevistas, reuniões de feedback e mentorias.
Porque não é o currículo imaculado que forma um grande profissional — e sim a capacidade de transformar erros em conhecimento aplicado.
Porque a estrada dos acertos é pavimentada com tentativas que não deram certo.
E porque os líderes que hoje inspiram o mundo são os mesmos que já falharam, ajustaram a rota e continuaram.
Seja um deles. Erre mais. Erre melhor. E siga.
Se você tem medo de lobos, não entre na floresta,” advertiu Fiodor Dostoievski, renomado escritor russo.
Gutemberg B. de Macedo Mentor de executivos, escritor e defensor de uma liderança corajosa, real e em constante transformação.



