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Sempre Encontre as Pessoas na Sala Delas, Não na Sua

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Gutemberg B. de Macedo

Uma história de 40 anos de atuação no mercado, que se solidificou em uma empresa nacional, com filosofia e estratégias globalizadas.

Em um mundo cada vez mais ruidoso, inseguro, volátil e veloz, o verdadeiro diferencial das lideranças não está apenas na eloquência com que falam, mas na sensibilidade com que escutam.

Segundo o Papa Francisco (1936–2025), “apenas os que dialogam podem construir pontes e vínculos.”

“Sempre encontre as pessoas na sala delas, não na sua.”

Essa frase, poderosa em sua simplicidade, é um lembrete de que empatia, escuta ativa e conexão humana são pilares da liderança do século XXI. E mais do que uma virtude social, trata-se de uma habilidade estratégica.

A arte de sair da própria bolha

No ambiente corporativo, é comum que líderes ou profissionais experientes desejem conduzir reuniões, conversas e projetos a partir do seu próprio repertório — sua “sala”. Essa sala é o lugar onde moram suas verdades, suas referências, sua história, sua bagagem. O problema é que nem sempre o outro está pronto para nos receber lá.

Se queremos gerar impacto real, precisamos fazer o movimento contrário: ir até onde o outro está. Compreender sua linguagem, seu tempo, seu contexto. Isso não significa abrir mão dos próprios valores, mas ajustar o tom para criar pontes e não muros.

Segundo Dick Schlosberg, editor e ex-CEO do Los Angeles Times:

“Existem dois benefícios nessa postura: 1 – você sai um pouco da sua mesa e anda pelo escritório, e 2 – você pode sair quando chegar, avise sua hora.

Além disso, você é visto pelos outros — e sempre se aprende pelo menos uma coisa nova quando se circula pela empresa.”

Como disse Daniel Goleman (1946):

“Empatia representa a fundação de todas as habilidades sociais importantes no mundo do trabalho.”

Liderar é interpretar o momento do outro

Encontrar o outro na sala dele significa:

Escutar antes de responder.

Perguntar antes de opinar.

Observar antes de julgar.

Significa perceber o que a pessoa precisa naquele momento: segurança ou desafio? Clareza ou autonomia? Acolhimento ou direção?

Grandes líderes não operam com scripts prontos. Eles leem o ambiente, adaptam a abordagem e se colocam a serviço de algo maior do que o próprio ego: a transformação do outro.

Mantenha seus olhos e ouvidos sempre abertos e a sua boca fechada.

Empresas inteligentes formam líderes empáticos

Organizações que valorizam escuta e empatia não o fazem por gentileza, mas por estratégia.

Ambientes que acolhem as realidades individuais geram mais:

Engajamento genuíno

Retenção de talentos

Comunicação eficaz

Soluções criativas e humanas

A empatia não é passividade. É precisão. É saber qual linguagem comunica melhor, qual abordagem mobiliza mais e qual momento pede silêncio ao invés de discursos verborrágicos.

O filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712–1778) escreveu:

“Só entende o valor do silêncio quem tem necessidade de calar para não ferir ninguém.”

Maurice Switzer (data desconhecida) escreveu:

“Melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida.”

E se todos fizessem esse movimento?

Imagine uma empresa onde gestores conversam com seus times a partir das dores reais de quem está na linha de frente.

Imagine escolas onde professores entendem em que “sala emocional” seus alunos estão antes de entregar conteúdo.

Imagine famílias onde cada um aprende a se conectar sem impor.

Imagine uma sociedade em que os diálogos são feitos de encontros, e não de embates.

Conclusão: escutar com intenção é liderar com visão

Encontrar alguém na sala dela é sair do automático, pausar o próprio roteiro e entregar presença. É entender que, antes de convencer, é preciso compreender.

Que, antes de ensinar, é preciso acolher.

E que, antes de esperar mudança, é preciso saber onde o outro está.

A comunicação empática é o novo idioma da influência. E os líderes do futuro serão aqueles que souberem falar menos sobre si e mais com o outro — dentro da sala onde ele se encontra.

São João Bosco (1815–1888), fundador da Congregação Salesiana e grande educador de jovens, aconselhou:

“Fale pouco de você e menos ainda dos outros.”

Redigido e postado por Gutemberg B. de Macedo, Presidente da Gutemberg Consultores.

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